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por Deborah Angelini 29 jan 2024 - 3 Min. de Leitura

Mesmo com o crescimento econômico chinês superando as expectativas do mercado e o PIB expandindo 4,9% no terceiro trimestre de 2023, a China enfrenta uma crise severa.

O outrora próspero mercado imobiliário agora lida com uma série de falências de incorporadoras e construtoras, enquanto os investimentos do setor registram uma queda de 10% por anos consecutivos.

Em 2023, as vendas de novas casas das 100 maiores imobiliárias encolheram mais de um terço, totalizando 451,3 bilhões de iuanes (64 bilhões de dólares). Os governos locais, cujos orçamentos dependem da venda de terrenos para imóveis, estão seriamente endividados e obrigados a implementar cortes de gastos.

+ Veja: CAIXA atinge R$700 bilhões em crédito liberado para imóveis

Mas o que houve?

Representando cerca de 30% da economia, o setor entrou em crise há mais de dois anos, após o governo lançar uma série de restrições aos empréstimos de construtoras. Mas também:

  • Desemprego entre os jovens
  • Queda nas exportações
  • Consequências da guerra da Rússia e da Ucrânia
  • Fragmentação geoeconômica

Ainda assim, a China é um país majoritariamente com casa própria. Cerca de 80% das famílias possuem propriedades e mais de 20% dos residentes urbanos com mais de uma propriedade.

A maior dívida do mundo no setor imobiliário

No epicentro dessa crise está a maior incorporadora chinesa, a Evergrande, uma gigante do mercado imobiliário que acumula uma dívida colossal de US$ 300 bilhões, equivalente a R$ 1,47 trilhão na cotação atual. Essa dívida representa a maior do mundo no setor.

Durante anos, a incorporadora financiou projetos em andamento com depósitos de clientes destinados a futuras iniciativas imobiliárias. A maior parte do dinheiro devido pela Evergrande corresponde a depósitos pagos por cidadãos chineses comuns.

Com isso, o Tribunal de Hong Kong decretou a falência da gigante chinesa após comprovar que as estratégias de recuperação não são sustentáveis. O processo destacou a incapacidade da empresa em apresentar uma proposta viável de reestruturação após mais de dois anos de inadimplência em dívidas internacionais e várias audiências judiciais.

Outra gigante do setor, a construtora Country Garden, também está endividada em R$75,99 milhões em juros sobre um título em dólares norte-americanos e corre risco de inadimplência.

Para o mercado, a decisão judicial para a Evergrande não deve impactar fortemente a operação da empresa em um primeiro momento. Isso ocorre porque pode levar meses ou até anos para que o liquidante nomeado pelos credores assuma o controle das subsidiárias na China continental.

Agora, o governo chinês tenta promover uma série de medidas para estimular o crescimento do setor, incluindo o corte das taxas hipotecárias e retirar as restrições para compra de casas nas cidades, mesmo que isso – ainda – não tenha surtido nenhum efeito para sustentar a recuperação no mercado.

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